A arte de mudar a si mesmo

Se acessou esta página, provavelmente mudar a si mesmo é um assunto relevante para você. Apenas este fato já demonstra que está em um bom caminho. Ninguém se torna uma pessoa melhor sem mudar a si mesmo. A evolução pessoal, em todos os aspectos, exige que você deixe de ser quem é, para se tornar alguém melhor.

Porém, quem já tentou sabe que isso não é fácil. Aquele que se inscreveu em uma academia de ginástica ou está mudando de carreira, por exemplo, sabe disso. Podemos querer mudar nosso corpo, mente, emoções, comportamentos, hábitos, mas seja qual for o assunto, mudar a si mesmo é sempre um caminho estreito, longo e cheio de desvios.

Mudar é difícil porque exige concentrar esforços por um longo período. Pouquíssimas pessoas conseguem isso. A maioria não tem autocontrole suficiente e sua energia pessoal se esgota rapidamente. Quando falo esforço, refiro-me à soma de dois itens: atenção + energia = esforço.

A atenção é o estado mais alto da consciência. Para usá-la, precisamos de muita energia. Pense nela como uma espécie de combustível. Enquanto redijo este texto, coloco intencionalmente minha atenção nele. Uso este combustível conscientemente para realizar algo que desejo. Para ler e compreender este texto, você terá de fazer o mesmo. No entanto, se enquanto lê, se distrai com coisas que acontecem à sua volta, como um celular ou uma conversa, logo sua atenção está se dividindo. Uma parte do combustível está sendo utilizada para realizar a sua vontade (ler este texto), mas outra está sendo desperdiçada sem que você perceba.

Quando realizamos coisas simples, que requerem pouco esforço, a atenção dispersa é benéfica. Somos capazes de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, podemos dirigir enquanto conversamos ou cantamos. Por outro lado, somos incapazes de resolver uma equação matemática enquanto trocamos mensagens no celular. O combustível parece ser insuficiente para lidar com duas ou mais tarefas que exigem atenção.

Uma parte da nossa consciência tem a função de “trabalhar no automático”. Podemos fazer muitas coisas gastando pouco combustível. Caminhar, conversar, dirigir, digitar, escovar os dentes, limpar a casa, comer… Quase todas as tarefas diárias podem ser feitas com pouquíssima atenção. Isto é muito útil, pois preserva combustível para coisas mais importantes. Porém, se não tomarmos cuidado, isto também pode ser um problema. Podemos passar horas, dias ou mesmo uma vida inteira simplesmente trabalhando no automático.

Uma segunda parte da nossa consciência tem a função de um radar. Ela está sempre vigiando o ambiente para perceber ameaças ou oportunidades. Nossos antepassados da pré-história tinham de estar atentos a predadores ou alimentos. Hoje essa função nos desperta ao ouvir, por exemplo, uma buzina, um grito, um latido ou uma sirene. Por isso, esta foi e continua a ser uma função importante para proteger nossa sobrevivência. No entanto, nossos ambientes tornaram-se hiperestimulantes. Smartphones, computadores, televisores, rádios, propagandas ou mesmo pessoas agitadas atraem nossa atenção, centenas ou milhares de vezes por dia. Desse modo, é como se as coisas ao nosso redor decidissem no que você gasta seu combustível. Assim, ele é gasto sem nem nos darmos conta. Isso fica bastante claro quando tentamos fazer algo complexo em um ambiente tumultuado. Após algum tempo, nos sentimos mentalmente e fisicamente estafados.

Por fim, a terceira parte da nossa consciência é a atenção direcionada INTENCIONALMENTE. Esta função é a única capaz de analisar possibilidades e fazer escolhas. Somente ela pode pensar e agir diferente. Somente ela pode mudar algo. Portanto, para mudar a si mesmo, é necessário que você intencionalmente coloque a sua atenção em si mesmo. É necessário que você esteja atento às suas atividades e reações o tempo todo para poder mudá-las. É necessário que você faça um esforço consciente para perceber o instante que antecede o comportamento a ser mudado e então poder escolher como agir.

As duas primeiras partes da nossa consciência trabalham sem nossa vontade. Ou melhor dizendo, elas trabalham contra nossa vontade! Afinal, se você quer mudar a si mesmo, então quer mudar a forma como age quando está desatento, quando está funcionando no automático, não é mesmo?

Quem quer se alimentar de maneira mais saudável, tem de estar atento ao instante que antecede a compra do refrigerante. Quem quer controlar o estresse, tem de estar atento ao instante que antecede a raiva. O curioso é que, quando estamos bem, ou seja, quando temos energia sobrando, conseguimos estar atentos, vigiar nossos comportamentos e mudá-los. É assim que começam as dietas e as matrículas nas academias.

Porém, quando falta energia, quando estamos nos sentindo cansados ou desanimados, temos mais dificuldade para estar atentos. Como dito anteriormente, algumas pessoas esgotam seu combustível sem nem perceber onde, como um tanque de combustível com muitos vazamentos. Nesse estado, você ficará mais propenso a não usar a função mais alta da sua consciência, pois ela consome muito combustível, lembra? Então, preferirá agir no automático (primeira função) ou ficar zapeando canais na TV (segunda função).

A arte de mudar a si mesmo requer que você preserve sua energia e utilize-a para desenvolver sua atenção, direcionando-a para si mesmo a maior quantidade de tempo possível.

Publicado por

Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado?Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia.Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

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