Os dois lados perversos do preconceito

A história a seguir é baseada em fatos reais.

Foto meramente ilustrativa
Foto meramente ilustrativa

Duas garotinhas de 7 anos de idade estudavam em uma escola pública. Sentavam-se lado a lado na mesma sala de aula. Ambas tinham boas notas e moravam em um bairro pobre, na periferia de uma grande cidade.

Uma delas era negra. Seu pai trabalhava muito para ganhar pouco. Sua mãe era dona de casa e fazia bicos para complementar a renda. Apesar das dificuldades, não lhe faltava comida, nem roupas. Era uma vida humilde e honrada. Seus pais e avós conseguiram lhe dar um pouco de vida, sem muita qualidade.

A outra garotinha era branca. Seu pai trabalhava muito para ganhar pouco. Porém, devido a uma doença, passava dias acamado, sem conseguir trabalhar. Sua mãe era falecida. Às vezes, faltava comida. Para se alimentar, a garotinha caçava pardais e suas roupas pareciam trapos. Quando seu único conjunto de uniforme escolar era lavado, a roupa secava no corpo, a caminho da escola. Seus pais lhe deram a vida, pouco além disso.

Em um dia de inverno, a escola recebeu um pequeno lote de blusas que seria distribuído gratuitamente para os alunos. Porém, não havia o suficiente para todas as crianças. Então, os professores foram instruídos a selecionar as mais necessitadas.

A professora foi passando entre as carteiras da sala e selecionando os alunos. Quando entrou na fileira onde as garotinhas estavam, a garotinha branca encheu-se de esperança, pois sabia a faltava que lhe fazia uma blusa. A garotinha negra nem tanto, pois felizmente tinha o que vestir.

A análise descuidada da professora revelou seu preconceito. A garotinha negra foi escolhida, enquanto a garotinha branca, ignorada. Sem entender, a garotinha negra foi buscar a blusa. Sem questionar, a garotinha branca ficou frustrada.

A garotinha negra foi subjugada, vista como coitada. Sabe-se lá quantas vezes mais ela passou por isso. Em um único ato, por um outro lado, a garotinha branca carente foi vista como autossuficiente. Sabe-se lá quantas vezes mais ela passou por isso. O perverso preconceito atingiu os dois lados.

Não havia nenhum sentimento de injustiça entre as duas vítimas. Nem se quer perceberam o preconceito silencioso de sua professora. Felizmente, as garotinhas só notaram uma pequena diferença entre elas. A primeira tinha uma blusa que não precisava. A segunda precisava de uma blusa que não tinha.

Com uma empatia exemplar, a garotinha negra ofereceu a blusa à garotinha branca. Então, a justiça se fez, não pela lei, mas pela bela compaixão presente nos corações coloridos.

Publicado por

Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado?Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia.Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

Deixe uma resposta