Praticantes de Aikido

A parte que lhe cabe

Aikido é uma arte marcial japonesa que usa a energia do oponente contra ele mesmo. Trata-se de uma prática física e filosófica (e até espiritual, para alguns) saudável, eficaz, inteligente e elegante. No Aikido não há competição. Tudo é feito de modo colaborativo, buscando harmonia.

As técnicas do Aikido envolvem torções e aprisionamentos que demandam alongamento da musculatura e dos tendões. Para que seja uma prática saudável, o tori (quem aplica a técnica) deve respeitar os limites do uke (quem recebe a técnica). Se o uke relaxa, pode alongar-se sem problemas, a não ser um desconforto momentâneo. Mas se tenta bloquear a técnica travando seus músculos, pode se machucar seriamente. Por isso, colaboração é uma questão de segurança.

Iniciantes geralmente têm dificuldade para relaxar devido ao medo e à ansiedade. Às vezes mesmo veteranos não conseguem relaxar, devido ao acúmulo de tensão no dia a dia. A musculatura rígida é uma reação natural e incontrolável. A incapacidade de relaxar pode ser interpretada como um “problema” do uke (quem recebe a técnica, lembra-se?). Afinal, é o uke quem não consegue se tranquilizar, não? Não exatamente.

O tori tem grande responsabilidade. Ele pode provocar mais ansiedade ou auxiliar no relaxamento, dependendo da precisão e intensidade de sua técnica. Por isso, para atingir a harmonia e a segurança, o tori precisa reconhecer a parte que lhe cabe e ajustar-se ao ritmo e à flexibilidade do uke. Assim, todos podem ter um treino agradável.

Nos negócios, assim como no Aikido, buscamos harmonia com o mercado, com os colegas de trabalho e clientes. Podemos vê-los como oponentes e nos queixarmos “se os clientes fossem mais compreensivos…”, “se os funcionários fossem mais proativos”, “se o governo fizesse a parte dele…”. Por outro lado, podemos vê-los como “colegas de treino” e aceitar que seus comportamentos são “reações naturais”. Se buscamos harmonia, precisamos nos concentrar na parte que nos cabe. Qual é a sua parte?

Publicado por

Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado?Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia.Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

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