Estratégia é um mito – Parte 2

Efeito borboleta - teoria do caos

No artigo anterior, expus a mentira por trás do planejamento estratégico. Se você não leu, leia Estratégia é um mito.

Agora, proponho um desafio: Lembre-se de uma decisão muito importante que você tenha feito há mais de 5 anos, no mínimo. Escolha algo que tenha exigido muita análise e reflexão, pessoal ou profissional. Lembrou? Ótimo! Mantenha na memória enquanto lê este artigo.

Qualquer tipo de planejamento realizado em um contexto complexo sofre de quatro limitações:

Nossa leitura do contexto é ínfima

Não importa a sua experiência, formação ou idade, sua leitura do contexto será sempre ínfima. A leitura e interpretação está limitada a um ponto de vista, à disponibilidade de informações e condicionada às percepções emocionais individuais. Tendemos a distorcer fatos e dados para justificar esforços e evitar o contato com qualquer desapontamento ou dor. Além disso, nossa capacidade cerebral de processamento é bastante pequena se comparada à complexidade que rege o mundo.

O contexto está em constante mutação

Mesmo que a leitura do contexto fosse perfeita, ainda há de se considerar que as coisas mudam muito rápido. As variáveis ambientais (políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais) e as variáveis setoriais (entrantes, concorrentes, substitutos, fornecedores e clientes), que modelam o contexto onde sua empresa está inserida, estão em transformação frenética. Somos incapazes de acompanhar cada novidade e analisar o impacto delas em nossos planos.

Nós estamos em constante evolução

Ainda que fôssemos capazes de ler corretamente o contexto e de acompanhar todas as mudanças, ainda perceberíamos que nossas análises melhoram conforme o acumulo de experiências. Nós aprendemos e por tal motivo, as decisões tomadas no passado deixam de fazer sentido.

Somos regidos pela teoria do caos

Para fazer a previsão do tempo, é necessário considerar diversos indicadores como velocidade dos ventos, pressão atmosférica, umidade, intensidade dos raios solares, taxa de evaporação da água, eventos sobre a superfície terrestre, etc. Na tentativa de desenvolver um algoritmo capaz de prever o clima, cientistas empreenderam um gigantesco estudo cruzando milhares de variáveis do mundo todo, utilizando computadores modernos. A conclusão foi intrigante: mesmo o simples bater de asas de uma borboleta pode interferir no clima. Assim como a natureza, nossa vida também faz parte de uma gigantesca, incontrolável e imprevisível cadeia de causas e efeitos. Portanto, o futuro sempre guarda várias surpresas. (Leia mais sobre a teoria do caos)

Agora, voltando ao desafio inicial… Responda com franqueza para si mesmo: no momento em que tomou sua importante decisão, você tinha a correta noção de todas as consequências que vieram a ocorrer? Pense bem.

Uma em cada nove pessoas respondem que não, revelando a fragilidade de nosso processo analítico e decisório.

O ato de planejar é importante e traz diversas vantagens. Falarei sobre elas futuramente. Contudo, se desconhecermos ou ignorarmos as limitações do pensamento cartesiano empregado no ato de planejar, estaremos utilizando o plano apenas como uma ferramenta de autoengano.

Publicado por

Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado? Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia. Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

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