Insistir ou desistir? Quando a persistência deixa de ser estratégia e vira teimosia

Quando a persistência deixa de ser estratégia e vira teimosia?

Nunca compartilhei da opinião de que esforço, entusiasmo e persistência são capazes de realizar qualquer coisa. Sim, esses são itens importantes, mas estão longe de serem as únicas variáveis na fórmula do sucesso. A história está repleta de pessoas dedicadas, apaixonadas e talentosas que morreram sem o devido reconhecimento. E cá entre nós… Sucesso póstumo não é tão sucesso assim, não é?

Esse pequeno artigo tem a proposta de fazê-lo perceber a monumental diferença que existe entre desistir e fracassar. De modo geral, na cultura ocidental, desistir é coisa de fracassados. Mas será? Não segundo Seth Godin, um controverso profissional de marketing, em seu livro “o melhor do mundo”. Para ele, pessoas bem-sucedidas desistem o tempo todo. Aliás, essa é uma grande virtude! Elas não gastam tempo e energia em projetos cujo futuro é demasiado incerto ou não promissor.

Se você quer ter êxito em seus projetos pessoais ou empresariais, primeiramente é necessário separar o joio do trigo. Segundo Godin, as estratégias verdadeiramente promissoras apresentam um vão, um obstáculo que separa os entusiastas dos vitoriosos. Quanto mais desafiador for o obstáculo, menor será o número de pessoas e empresas do outro lado. E quanto maior for a escassez de profissionais ou empresas, maior será a recompensa, segundo a lei da oferta e demanda. Ou seja, se algo é bastante promissor é porque existe um grande vão capaz de deixar muitas pessoas de fora. Se não existe o vão, provavelmente muitos já trilharam (ou trilharão) o mesmo caminho, tornando o outro lado menos valoroso. Lembre-se: no capitalismo não te pagam pelo seu conhecimento, mas pela sua raridade.

Contudo, a vida está cheia de supostas oportunidades sem vãos, tornando a recompensa quase irrelevante. Algumas oportunidades podem apresentar um vão praticamente intransponível para seu contexto, devido a falta de recursos, talento, energia, etc. Godin chama essas situações de “becos sem saída”. Ao identificar tais situações, o melhor a fazer é desistir. Não amanhã, mas agora mesmo! Pare de desperdiçar seu tempo em algo cujo futuro é demasiadamente incerto.

Pessoas bem-sucedidas desistem rápido, sem apego ou orgulho, sempre que encontram um beco sem saída. Ao encontrarem um vão, algo suficientemente difícil mas viável, dedicam-se integralmente até se tornarem os melhores. Porém, se você prefere lutar até o fim, seja quais forem as circunstâncias, apenas pela honra, orgulho ou vaidade, então você não tem uma estratégia, mas sim uma teimosia inútil.

Publicado por

Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado?Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia.Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

2 comentários sobre “Insistir ou desistir? Quando a persistência deixa de ser estratégia e vira teimosia”

  1. Parabéns Daniel!

    Muito bom o artigo. Gostei bastante. Se encaixa um pouco no que estou passando agora, senti uma incerteza e falta de propósito em continuar com a empresa, que resolvi desistir.
    Acho que há um adendo ao seu post: colocar também que as pessoas que tem um projeto de empreendedorismo precisam verificar se tem capacidade técnica de realizar a atividade ou de liderar uma equipe para entregar o que a empresa propõe entregar.
    Fazer o que se gosta também é importante para evitar a desistência. Ter um propósito definido (Por quê estou empreendendo?) e auto avaliar/criticar o andamento do projeto é fundamental para o sucesso da empresa.

    Abraços,
    Fernando

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