O diretor de marketing que não acreditava em branding

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O diretor de marketing de uma certa empresa gostava de dizer que branding estava morto, pois agora as mídias digitais baseadas em buscas e cliques eram muito mais eficientes, por permitirem medir o resultado de cada pequena ação. Isso parecia uma grande inovação para os outros diretores. O marketing agora é uma ciência exata, alguns pensavam. Outros invejavam aqueles dashboards repletos de dados confusos, mas que de certa forma pareciam muito úteis.

Esse mesmo diretor gostava de ostentar seu belo carro alemão, reconhecido pelo luxo. Carregava em seu bolso um smartphone top de linha, de uma empresa que durante muitos anos inovou, mas que hoje parece confortavelmente montada na reputação criada pelo fundador. Quando contratou a implantação de um software CRM para sua empresa, sem perceber descartou os desenvolvedores menores, pois sentiu-se mais seguro escolhendo uma plataforma vinculada a uma grande nuvem estrangeira. Quando ia a um restaurante, não queria saber de “pode ser” e sempre exigia seu refrigerante favorito, apesar de tantos testes cegos dizerem que quase não há diferenças.

Contudo, é claro que ele tinha motivos perfeitamente razoáveis para cada uma dessas escolhas. A marca foi um mero detalhe. Afinal, quem não se reconhece, se justifica. Qual era a marca da empresa na qual ele trabalha? Jamais saberemos, pois lembra-se? Ele não acredita em branding.

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Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado? Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia. Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

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