Porque as empresas não mudam

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A capacidade de mudar é vital para sobreviver em mercados cada vez mais dinâmicos. Contudo, poucas empresas conseguem implementar satisfatoriamente o que listam em suas reuniões. Grande parte é arrastado até que seja esquecido ou perca sua relevância devido a mudança de contexto.

As empresas que conseguem mudar em algum nível normalmente não esperam as pessoas mudarem, elas substituem pessoas. Consultorias, demissões ou simplesmente a rotatividade natural vai criando espaço para que as novas diretrizes se harmonizem à antiga realidade.

Mas por que mudar é tão difícil? Por que as pessoas resistem ou negligenciam a mudança até que sejam atingidas severamente? Responder a essas perguntas é fundamental para construir uma equipe dinâmica onde de fato valorizam-se as pessoas.

Resistência à mudança é uma condição humana. O novo sempre gera medo e desconfiança, seja no trabalho ou fora dele. Então, o que os promotores da mudança precisam saber para superar tal resistência?

O primeiro desafio é ver abaixo da superfície. Toda reunião onde se discutem mudanças resulta em várias pessoas escondendo suas verdadeiras impressões e opiniões. Elas agirão de acordo com esse mindset obscuro. A maioria encontrará uma forma de cumprir minimamente seus compromissos sem contrariar suas convicções, resultando em prazos negligenciados, briefings incompletos, baixo compromisso, despriorização. Na posição de líder, você não pode deixar a coisa rolar. Precisa tratar as objeções sorrateiras, inicialmente com toda diplomacia, depois com rigor e assertividade. Mas não se apresse. Tabus não vêm à superfície facilmente, principalmente aqueles que estão diretamente ligados às suas falhas como líder.

Assim chegamos a um ponto crítico do processo de mudança: suas falhas como líder e gestor. Como líder, você deve ser capaz de sensibilizar as pessoas sobre a necessidade da mudança. Como gestor, você precisa planejar, organizar e monitorar o processo. Se você sabe como fazer isso, provavelmente está se superestimando. Para ser um bom lider e um bom gestor, você precisa ser bom em mudar a si mesmo e quase todo mundo é muito ruim nisso.

Você é humano e mesmo que negue, tem medo de mudar. Mesmo que queira muito, dificilmente será severo consigo mesmo o suficiente para conseguir. Seja honesto, qual foi o último hábito que mudou? Conseguiu emagrecer? Parou de fumar? Manteve uma atividade física regular? Superou o terrível hábito de ser tomado pela raiva após uma fechada no trânsito? Cumpriu sua agenda semanal de follow-up com o time de vendas? Monitorou os indicadores? Treinou suas práticas de feedback? Pode se gabar de um ou dois hábitos, mas só. Há tantas coisas a serem mudadas, mas tão pouco empenho ou mesmo atenção para perceber que estamos agindo no automático.

A inabilidade de mudar o próprio comportamento resulta em uma grande inércia organizacional. Mas nem tudo está perdido. Saber o problema é um grande passo para a solução. Não torna o desafio mais fácil, mas permite que você direcione corretamente seus esforços.

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Daniel R. Bastreghi

O que nos move? Como fazer valer nossos esforços? Como aproveitar o tempo que nos é dado? Na esperança de um dia encontrar respostas convincentes para essas perguntas, eu, Daniel, passeio pelo mundo do marketing, empreendedorismo, psicologia, autoconhecimento e filosofia. Compartilhe suas percepções e ajude a construir o conhecimento.

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